

Chegou aos cinemas, o novo filme Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo) e Jerry Bruckheimer, Príncipe da Persia - As Areias do Tempo (Prince of Persia - Sands of Time). Filme que tem a pretensão de ser tão representativo nessa década, quanto foi a trilogia Piratas do Caribe, para a década de 2000.
Em outras palavras, essa série, baseada em um game de sucesso, pretende ser a nova série de aventura, que recheada de efeitos especiais, e uma história empolgante, marcou uma geração.
Mas receio em dizer que isso dificilmente ocorrerá, e é fácil entender porque.
Para entender um pouco disso, basta levar em consideração o legado amaldiçoado que as adaptações de games têm carregado ao longo dos anos.
Foram inúmeros desastres , que mostram que o cinema não tem sido capaz de recriar nas telonas, o universo dos games.
Passando por Mario Bros, Alone in the Dark, Resident Evil e outros golpes diretos, desferidos no rosto dos fãs de games.
Claro que não pretendo dizer com isso, que essa transição, esse transporte do mundo dos games para o cinema, seja impossível. Não. Só imagino que ninguém realmente competente ainda tenha tomado as rédeas de um trabalho que é de fato muito difícil.
A melhor adaptação de que me recordo agora, é Silent Hill, que apesar de ser um filme bastante limitado, consegue não tornar-se ridículo frente ao jogo de origem.
Príncipe da Pérsia é desastroso desde seu início, onde não há qualquer apresentação para os personagens, como se tivessemos obrigação de conhecê-los. O filme parece não ter a menor pressa para chegar á trama principal, e depois disso vem a sensação de que estamos em uma estrada irregular, esburacada e sem fim.
As cenas de ação são muito, mas muito mal coreografadas, os "enxertos" que ele faz, só deixam nítida a sua incapacidade de filmar essas cenas. São vários cortes rápidos executados de forma horrenda, que são feitos assim por pura conveniência. Para tentar passar a sensação de que a cena é melhor do que parece ser. Grande besteira.
Levando ainda em consideração que o ponto alto do jogo é a sua jogabilidade, a interação alucinante em que o jogador é colocado ao controlar o protagonista, sendo capaz de executar todos os movimentos impossíveis, o mínimo que poderia ter sido feito, era ter um cuidado maior específicamente com essa área (não que todo o resto não necessitasse de mais atenção).
Diálogos mal elaborados, impostos de forma redundante, e o pior de tudo, intencionalmente. São mais alguns dos defeitos que se podem apontar nesse grande desastre cinematográfico.
O filme tem ainda como protagonista o questionável Jake Gyllenhaal, que desde Donnie Darko, nunca conseguiu emplacar em outro trabalho. Aqui não é diferente. Mostra-se sem força para tamanha responsabilidade. Sua companheira de cena, Gemma Arterton é uma graça de mulher, mas só isso não basta. Todos os demais atores também estão abaixo do que podem, como o próprio Alfred Molina.
Esse é definitivamente, o pior filme de Mike Newell.
Príncipe da Persia - As Areias do Tempo, ostenta ser divertido, bonito, e romântico. Mas é uma franquia, que definitivamente começou muito mal, e difícilmente deve reverter isso.
Um filme que queria ser grandioso, mas é apenas mais um título que fica bem melhor nos consoles.
Nota - 2
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